quarta-feira, 21 de setembro de 2011

DIÁRIO DE UM ESCRITOR ERRANTE - post 1

                                                              

                                                                 1ª Jornada: Caxias-MA

CAXIAS - MARANHÃO
POPULAÇÃO: 148.072
ÁREA: 5.224 km



( Noite de 14/09/11 - quarta-feira )

Cheguei em Caxias por volta das 21:00hs. Ia me hospedar numa pousada ao lado da rodoviária, mas quando me informei sobre a distância dali ao centro da cidade mudei de ideia, porque fiquei sabendo que era bem longe. Peguei um moto-taxi e pedi ao motoqueiro que me levasse a alguma pousadinha, simples e barata, é claro, mas que ficasse pelo menos mais próxima ao centro.

O motoqueiro logo me falou com entusiasmo de uma pousada no centro para onde sempre levava seus passageiros recém-chegados à cidade, e nos mandamos para lá. Fiquei olhando as ruas sossegadas durante o percurso, algumas bem abertas e iluminadas, e até com certo movimento; outras, mais desertas, muito estreitinhas e com algumas ladeiras.

Ao chegarmos na pousada de que o motoqueiro tinha falado, ficamos sabendo pelo atendente da portaria que ela estava lotada. Mas em seguida ouvi a voz do atendente perguntando: “Quantas pessoas são?” E depois, quando o motoqueiro lhe informou que era apenas uma pessoa, ele respondeu: “Eu desocupo esse quarto aqui pra ele”. Começou a tirar um monte de tralhas do cubículo que, pelo visto, era o seu dormitório, bem ao lado da recepção. Aproximei-me da porta a tempo de ver vários pequenos objetos jogados em cima da cama, os quais o homem começou a recolher rapidamente, com a nítida intenção de me hospedar ali. Chamei o motoqueiro e lhe perguntei se não conhecia outro lugar onde, mesmo sendo simples, eu não precisasse ficar tão espremido e cozinhando a vapor, como ali.

Ele pegou o celular e ligou para um hotel, indagando se havia algum quarto vago. Fiquei me perguntando se ele não poderia ter feito a mesma coisa com relação a este, para o qual me trouxera primeiro. Disseram pelo telefone que ali também não havia vaga. Então, o motoqueiro pensou um pouco e se lembrou de outra pousada; e nisto, acho que visitamos umas três ou quatro pousadas, até chegarmos finalmente numa onde fiquei. Na verdade, não ficava nada perto do centro. É uma pousada de posto de gasolina, o posto Vila Nova, no bairro Pirajá. A pousada também se chama Vila Nova.

Paguei o motoqueiro, ele foi embora, e o atendente da portaria (o vigia do posto) me entregou “birrenta”. Esse é o nome que dei à chave do meu quarto, o quarto nº 1, porque ela é uma péssima chave, enguiça o tempo todo, dá um trabalhão pra se conseguir fechar ou abrir a porta com ela. Ou seja, ela é mesmo uma “birrenta”. Cheguei a pensar em pedir a alguém da pousada para trocar a chave; mas ao mesmo tempo gostei dela como elemento picante da história, por isso acabei não pedindo para trocá-la.

Depois de acomodar minha mochila num canto do quarto e trocar de roupa, fui ver o 2º tempo de Brasil x Argentina com o vigia do posto, o qual fiquei surpreso por encontrar dormindo de boca aberta na cadeira, cabeceando para lá e para cá de vez em quando. O jogo terminou zero a zero. Fui para o meu quarto escrever e deixei o vigia lá, cabeceando de boca aberta.

Um enorme ventilador preto, adaptado no alto da parede, refrescava o quarto fazendo o barulho de um carro. Experimentei desliga-lo, mas as muriçocas logo arranjaram um jeito de me dizer que tinham adorado a ideia, e eu tive que voltar a ligá-lo.

Resolvi dormir e me preparar para o dia seguinte. Eu não estava certo disto, mas tinha a impressão de que teria de pegar um moto-taxi até o centro. Tudo que sabia era que estava ali para vender meu livro Balada Suburbana. E queria vender muitos exemplares. Fui dormir.

( Continua no próximo post )

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